Certa vez, uma dessas folhas informativas que, se você apertar, escorre sangue de encher reservatório de hospital, chegou com uma notícia que me deixou de cabelo em pé. Contava o caso de cinco amigos, todos cheios daquela malandragem típica dos veteranos de boteco, local em que os mancebos costumavam se reunir para beber todo santo dia, não importando que outros compromissos estivessem à frente.
O primeiro morreu no sábado de aleluia, encontrado sem vida pela empregada que chegava para limpar a sala do sujeito. Estava desnudo, em decúbito ventral e envergando o corpo pela privada, descreveu o periódico. A polícia aventou todo tipo de suspeita pela morte, mas só a autopsia conseguiu provar que foi envenenamento. O rapaz estava era cheio de estricnina no sangue.
O segundo faleceu uma semana mais tarde, desta vez, atropelado pelo próprio caminhão, que entrou desgovernado por sua varanda sabe-se lá Deus como e espremeu o moribundo no gradeado da porta. Teve que ser velado de caixão fechado porque nem a mãe do infeliz teve coragem de olhar praquele crânio esfacelado.
A notícia dos óbitos correu mundo, tudo quanto é rato de birosca estremecendo de pânico, achando que seria o próximo alvo do cruel assassino. Os três remanescentes do grupo eram os mais medrosos, obviamente. Trancaram-se em casa e prometeram só sair quando o elemento homicida fosse preso.
De nada adiantou. No mês seguinte, a história se reprisou com um deles aparecendo sem vida, atravessado por um espeto de churrasco enquanto dormia. Não teve nem tempo de reagir. Já acordou com a lâmina atravessando os olhos. No mesmo dia, o quarto cadáver surgiu para espanto da polícia, que continuava sem pistas. Só que agora foi arma de fogo. Um tiro certeiro no meio da testa.
O moço restante, Araújo, não sabia o que fazer. Mandou rezar missa, obrar macumba e não sei mais o quê. Comprou patuá, pé de coelho, trevinho e não passava embaixo de escada nem sob tortura severa. Afastou-se do mundo, fugiu para o sertão e só andava armado até os dentes.
No entanto, nem precisava de tudo isso, já que, de súbito, o meliante foi preso. Era a própria namorada de Araújo, encarcerada enquanto tentava queimar as provas de seus delitos. Um mendigo desconfiou e chamou os detetives. Flagrante imediato. Levada para a delegacia, a moça se recusou a confessar. Mas, apertada delicadamente por um capataz de cadeia, admitiu a autoria das execuções.
O motivo? Ciúme do namorado. Veja bem, explicou o delegado em entrevista ao veículo noticioso, o rapaz era um bom garoto, mas a moça achava que a influência dos amigos era perniciosa. O menino se transformava e isso ela não podia aceitar. Precisava dar uma solução no problema e o jeito encontrado foi eliminar os culpados pelo comportamento desregrado de Araújo.
Não vou mentir que a explicação não me convenceu muito, não, mas um grande amigo meu, Genival das Virgens, o maior safado que este Nordeste já conheceu, quando viu a fotografia da criminosa no jornal, tratou logo de concordar com o delegado.
- Vá por mim. Mulher feia dessa só pode ser matadora. Quando não mata di faca, mata di susto!